As Áreas de Proteção Ambiental pertencem ao grupo de unidades de conservação de uso sustentável. Constituídas por áreas públicas e/ou privadas, têm o objetivo de disciplinar o processo de ocupação das terras e promover a proteção dos recursos abióticos e bióticos dentro de seus limites, de modo a assegurar o bem-estar das populações humanas que aí vivem, resguardar ou incrementar as condições ecológicas locais e manter paisagens e atributos culturais relevantes.
As Áreas de Proteção Ambiental (APA) possuem um Conselho Consultivo, presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes dos órgãos públicos, de organizações representativas da sociedade civil e da população residente no local, conforme o disposto em regulamento e no ato de criação da unidade.
Nas áreas das APAs sob domínio público a visitação é estabelecida pelo IBAMA, tendo por base o plano de gestão da área. As pesquisas científicas nessas áreas também dependem de prévia autorização do IBAMA, estando sujeitas as normas por este estabelecidas.
Área de Proteção Ambiental Cananéia Iguape Peruíbe tem por objetivo, além de possibilitar às comunidades caiçaras o exercício de suas atividades, dentro dos padrões culturais estabelecidos historicamente, e de conter a ocupação das encostas passíveis de erosão, proteger e preservar: os ecossistemas, desde os manguezais das faixas litorâneas, até as regiões de campo, nos trechos de maiores altitudes; as espécies ameaçadas de extinção; as áreas de nidificação de aves marinhas e de arribação; os sítios arqueológicos; os remanescentes da floresta atlântica e a qualidade dos recursos hídricos. Foi criada pelo decreto nº 90.347 de 23.10.1984 e complementada pelo decreto nº 91.892 de 06.11.1985.
A criação da unidade deu-se no bojo de grandes mobilizações de entidades ambientalistas, que começaram a se organizar no país desde os anos 70, no sentido de proteger o Vale do Ribeira e particularmente, o litoral sul do estado de São Paulo, do desmatamento e também lutando contra a intenção do governo brasileiro de construir usinas nucleares no lugar onde em 1977, na seqüência, seria criada a Estação Ecológica de Juréia- Itatins.
A região hoje concentra um grande mosaico de unidades e representa a maior porção contínua de vegetação preservada do território paulista, abrigando diversos ecossistemas de Mata Atlântica e assim sendo uma das reservas naturais de maior diversidade genética do mundo.
Cananéia (fundada em 1531) e Iguape (fundada em 1538), municípios abrangidos pela unidade, estão entre as povoações mais antigas do Brasil, confundindo-se com a própria colonização das terras nacionais, guardando um pouco dessa história em seu casario colonial, igrejas e museus, como em inúmeros sítios arqueológicos (sambaquis) identificados e catalogados, que atestam um patrimônio de grande valor histórico e cultural. A importância da região foi reconhecida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), estando incluída desde 1992 na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Em 1999 foi ainda declarada Sítio do Patrimônio Histórico Natural da Humanidade. Neste mesmo ano (1999), a região recebeu o título de melhor destino ecoturístico do mundo, atribuído pela revista norte-americana de turismo Condé Nast Traveller, pro aliar a riqueza da Mata Atlântica ao patrimônio histórico da área e à cultura regional de caiçaras, quilombolas e índios Guaranis, que sobrevivem de atividades artesanais, como a pesca e o extrativismo.
Possui uma área de 234.000 ha. Está localizada (Veja o mapa) no estado de São Paulo, abrangendo os municípios de Cananéia, Iguape, Peruíbe, Itariri e Miracatu. O acesso é feito através da BR-116; saindo-se de São Paulo, percorre-se 200 Km até o Trevo do município de Iguape, seguindo depois pela SP-222 até o município citado. A sede da APA fica localizada em Iguape.
É permitida a visitação pública; todos os dias da semana. A região encerra uma das últimas áreas remanescentes de Mata Atlântica e um dos últimos ecossistemas não poluídos do litoral brasileiro.
Apresenta um complexo estuario-lagunar que constitui um dos maiores viveiros de peixes e crustáceos do Atlântico Sul. Seus manguezais abrigam espécies raras e/ou ameaçadas de extinção, como o papagaio-da-cara-roxa, o mono-carvoeiro, a onça pintada, o jacaré-do-papo-amarelo e o boto-cinza. Enfrenta problemas com a retirada de madeira, caça e extração de palmito.
Informações extraídas do site www.ibama.gov.br