Mongue pede nulidade das Audiências Públicas realizadas para elaboração do novo Mosaico de Unidades de Conservação da Juréia-Itatins.
3 Feb 2010 Por Plinio
Apesar de não obedecer totalmente a Deliberação CONSEMA 34/2001 de 27 de novembro de 2001, que dispõe sobre a organização das audiências públicas, o CONSEMA cumpriu o cronograma estabelecido pelo governo do Estado e realizou Audiências na cidade de Peruíbe e no Município de Iguape.
Plínio Melo, representante da MONGUE PROTEÇÃO AO SISTEMA COSTEIRO, fez uso da palavra nas duas audiências, registrando que o CONSEMA não assegurou o direito à participação democrática, garantido pela Constituição Federal como forma de implementação do Estado Democrático de Direito , em que se constitui a própria República Federativa do Brasil (CF, art. 1º, parágrafo único); o princípio da publicidade dos atos públicos (CF, art. 37, “caput”); o acesso ao direito à informação (CF, art. 5º, XIV; Lei n. 6938, de 31 de agosto de 1981, que institui a Política Nacional do Meio Ambiente; arts. 4º, 111, 114 e 191 e seguintes da Constituição do Estado de São Paulo; Lei Estadual n. 9.509, de 20 de março de 1997, que dispõe sobre a Política Estadual do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação), e a participação efetiva das populações locais na criação, implantação e gestão das unidades de conservação (SNUC, art. 5º, III).
Toda esta linguagem jurídica fez parte da representação protocolada junto ao CONSEMA para pedir a anulação das Audiências, pois além dos erros de convocação, o único documento que deveria ser discutido – PROJETO DE LEI QUE INSTITUI O NOVO MOSAICO DA JURÉIA – Não foi apresentado. As audiências se constituíram em uma interminável lengalenga que se arrasta há 25 anos.
Plínio Melo, cumprido a missão definida pela direção da MONGUE, esclareceu aos moradores sobre as fraudes nos processos de transmissão de direitos fundiários com destaque especial para o Grilo Roncatti, famosa adulteração de documentos que criou inúmeras sobreposições de terras com vários títulos sobre a mesma propriedade. Citou que a Fazenda Pública do Estado de São Paulo patrocina várias ações demarcatórias com intuito de estas terras sejam consideradas terras devolutas passando para o domínio do Estado. Alertou os moradores da futura RDS do Despraiado que está inserida no 27º e 28º perímetro desta ações. E, ao se tornarem terras devolutas serão cancelados todos os títulos de propriedade ali existentes. Fato que ocorreu na Vila da Barra do Una, demarcação contestada pela MONGUE. Alertou ainda que se estas áreas fossem consideradas Terras Devolutas estes moradores padeceriam do que se apelidou, na Barra do Una de LISTA DE SCHINDLER, uma referencia ao filme de Spielberg. Uma “lista”, na verdade a Portaria 76/2009 que divulgou a lista de ocupantes das unidades de conservação do Mosaico da Juréia, extinto pelo Tribunal de Justiça. Citada erroneamente como portaria 051/2009.
OS TUCANOS DA JURÉIA, espécie invasora.
Outro ponto destacado foi a POLÍTICA DE GOVERNO IRRESPONSÁVEL, imprimida na Juréia, durante todo o período de existência da Estação Ecológica da Juréia-Itatins. Citou que os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto Socioambiental e UNICAMP para elaboração do Plano de Manejo do extinto Mosaico da Juréia são um canhão na mão deste Governo irresponsável.
Vale lembrar que as entidades ambientalistas se retiraram do CONSEMA, em repúdio à forma irresponsável com que o governo do Estado de São Paulo está conduzindo a política ambiental.
Melo, relembrou o nome dos governadores do estado de São Paulo desde a criação da estação Ecológica da Juréia-Itatins - Franco Montoro, Orestes Quércia, Luis Antonio Fleury, Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
São 25 anos de uma política irresponsável que está, comprovadamente, associada aos conflitos sociais e ambientais do maior remanescente contínuo da Mata Atlântica.
Os moradores da Juréia, as ONGs com atuação na região e grande parte da sociedade civil esperam que esta espécie de TUCANOS DA JURÉIA seja definitivamente extinta.
A notícia boa é que, ao final da reunião, o diretor da Fundação Florestal, “abriu mão de cumprir a agenda política” e prometeu reabrir as discussões com as comunidades, entidades do terceiro setor e governos municipais sem se importar com as desincompatibilizações dos senhores deputados, Governador do Estado e Secretário de Meio ambiente. Parece que, graças as pressões exercidas pela Mongue e moradores, o bom senso voltou a imperar. Veja o vídeo.


