Mais uma vez a vida imita a arte!!!
14 Nov 2009 Por Plinio
Sexta-Feira 13 ou Friday the 13th é uma longa série de filmes de horror dos EUA criada pelo diretor Sean S. Cunninghan.
Na última sexta-feira, 13 de novembro, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente apresentaram o “novo” projeto do Mosaico de Unidades de Conservação da Juréia-Itatins a ser enviado para a Assembléia Legislativa.
A nova proposta de restabelecimento do Mosaico parece ser uma longa série dos filmes americanos implantado na região.
Desapropiações, ações civis públicas, identificação de moradores, invasões, extração de palmito, descaso, arbitrariedade, arrogância, licitação para concessão de exploração de bares e restaurantes… Estes poderiam ser os títulos dos filmes da nova série.
Concebido nos gabinetes refrigerados o projeto conseguiu a unânimidade… Conseguiu descontentar a todos. Moradores, prefeituras, ambientalistas, ongs.
Moradores do Despraiado conseguiram a recategorização para RDS no antigo mosaico, mas a área era “incompativel com ![]()
a sustentabilidade da RDS”, segundo a justificativa do órgão governamental. Porém, o novo desenho, buscando corrigir o erro anterior aumentou a área da RDS incluindo Area de Proteção Permanente. Veja na foto que a área “contemplada” já foi motivo de denúncia pelos próprios moradores por estar sendo desmatada por invasores. Alí se realizaram três manifestações para chamar a atenção da SMA. O desenho a esquerda mostra a proposta de ampliação da RDS na área hachurada. A foto da direita mostra uma tentariva simbólica dos moradores de proteger a área contra o desmatamento e plantio de banana.
Moradores da Barra do Una conseguiram a recategorização para RDS no antigo mosaico, mas a área era também “incompativel com a sustentabilidade da RDS”, segundo a justificativa do órgão governamental. No novo mosaico a RDS da Barra do Una ”ganhou” os quase 400 hectares da ARIE do Ameixal, criada por Lei Federal, para explorar o extrativismo e “compatibilizar a área com a sustentabilidade da RDS”.
A extensão da da área de pesca no rio Una, reivindicada desde a criação da EEJI em 1986 não atendeu aos pescadores artesanais, pois os técnicos incluiram uma área com intensa influência das marés impedindo assim a captura de peixes de água doce tão presente na culinária tradicional caiçara.
A inclusão na categoria de Estação Ecológica de área densamente povoada e muito frequentada por turistas como o local conhecido como Perequê, no município de Peruíbe, mostra que o novo Mosaico deve aumentar o número de conflitos, ao invés de resolvê-los. Veja um vídeo gravado em janeiro deste ano mostrando parte da área que será anexada à Estação Ecológica. Clique e assista.
Se você quiser conferir as promessas feitas no discurso do Secretário de Governo, proferido na inauguração da Base do Itinguçu, em Iguape, pouco depois de sua posse em agosto de 2007. Com as decisões tomadas ao longo da sua gestão, clique aqui e assista na TV Mongue.
É a hora de opinar e indicar ao governo o que queremos. Acesse o blongue – O blog da Mongue – e deixe sua opinião consignada. Assim poderemos mostrar ao senhor Secretário qual o caminho a ser seguido.

Plinio…por enquanto o discurso do governo é unilateral, de cima para baixo. Os moradores da Jureia estao gritando e berrando como sempre fizeram mas nao enxergamos nenhuma vontade da parte do governo de nos ouvir. Parece que o governo sabe o que é melhor para a Jureia. Entao para que ouvir a populaçao? Os mecanismos de consultar a populaçao e manter audiencias publicas fazem parte da Lei para a criaçao do novo Mosaico e temos que registrar as nossas vontades no novo projeto. Por enquanto enxergamos que 1.) os estudos tecnicos que foram elaborados para justificar o novo Mosaico estao cheios de erros; 2.) parcelas importantes da populacao que serao afetadas nao foram convidadas para participar da apresentaçao do novo projeto, e o clima de terror continua. Será que desta vez o governo vai querer dialogar com o moradores para tentar achar uma soluçao para os conflitos que duram decadas e causam a ruina da Jureia? EXISTEM MEIOS LEGAIS PARA SOLUCIONAR OS PROBLEMAS SOCIAIS E DE PRESERVAÇAO AO MEIO AMBIENTE, MAS DEPENDEM DA VONTADE POLITICA DO EXECUTIVO. DEPENDEM DE UM DIALOGO FRANCO E HONESTO ENTRE TODOS OS ENVOLVIDOS: ONGS’S, MORADORES, ASSOCIAÇOES, MINISTERIO PUBLICO, TECNICOS DO GOVERNO, ASSESSORES JURIDICOS, E PARLAMENTARES. Se este caminho nao for seguido, a Jureia vai continuar sofrendo nas proximas decadas e encontrará sua morte, esquecida no tempo. Eu tenho certeza absoluta que o governo nao sabe o que é melhor para a Jureia. Os moradores, sim, sabem.
Segundo declarações da Fundação Florestal, durante a apresentação do Novo Mosaico, 402 famílias moradoras em UC de proteção integral deverão desocupar a área.
As indenizações deverão ser pagas apenas aos detentores de títulos das terras.
É de conhecimento de todos que a grande maioria das famílias Caiçaras não detém documentos das terras, apesar da ocupação centenária. É 606 o número total de ocupações.
na minha opinião TODOS deveriam ser obrigados a sair da area, se é area de preservação ambiental, e todos os acessos obstruidos (destruidos)
Onde há presença humana não há natureza que sobreviva, pode até durar ….mas vai agonizar até a morte.
Marcos,
lutamos apenas para que a Lei seja cumprida. Seja pelo governo Federal, Estadual ou Municipal.
não é justo que se crie Estação Ecológica em locais habitados e não indenizar as pessoas que são impedidas de obter renda com seu trabalho. A Juréia foi criada em 1986. É muito tempo.
Acesse uma reportagem da TV Cultura reproduzida aqui no blog - http://www.mongue.org.br/blongue/?p=722
Em uma destas matérias você verá que o governo do Estado não indeniza, não conserta os acessos e obriga, por exemplo, um pai caminhar por quilometros com um filho morto nos braços porque o rabecão não tem acesso.
Se a gente se colocar no lugar destas pessoas, certamente, mudaremos de opinião, não acha?
Comentário enviado para o email:
To: mongue@mongue.org.br
Subject: RE: Novo Mosaico \”ressurge\” na Sexta-Feira 13
Date: Mon, 16 Nov 2009 10:45:20 -0200
É um absurdo o que a secretaria do meio ambiente está tentando fazer com Vila Barra do Una do município de Peruibe
que segundo consta, faz parte da Juréia Itatins, até que a gente prove o contrário se Deus quiser, não podemos permitir que cometam mais esse ato inconstitucional, privando seres humanos de terem uma vida digna e fraterna e sendo discriminados sem nenhum constrangimento por esta diretoria que ainda não sabemos a que veio, é hora de todos nos mobilizarmos para impedir mais esta arbitrariedade, abraços
E o Pereque?