Com uma área de 800 quilômetros quadrados, no litoral sul de São Paulo, a Juréia guarda uma riqueza biológica que poucos locais da Terra podem igualar. Toda esta riqueza impressiona a todos.
O pesquisador Edward Wilson, da Universidade
Harvard, um dos maiores especialistas em biodiversidade, diz que a
Mata Atlântica é um
dos dezessete ambientes do mundo cuja preservação é imprescindível.
E a Estação Ecológica de Juréia-Itatins,
no litoral sul paulista, é uma parte essencial do que resta
da Mata Atlântica, hoje reduzida a 9% da área que tinha
em 1500. Com uma área de 800 quilômetros quadrados,
a Juréia é, de acordo com o geógrafo Aziz Ab'Sáber,
da Universidade de São Paulo, "o mais completo mostruário
de todos os ecossistemas tropicais do Brasil".
Ela guarda uma riqueza biológica que não existe mais, a não
ser lá. Isto ocorre devido as condições excepcionais
de sobrevivência, criadas pela união de seis ecossistemas bem
diversos: a areia das dunas, o lodo do manguezal, o solo encharcado de água
salobra, característico da restinga, as árvores altas das florestas
de planície, as matas de encosta, e os vegetais rasteiros das rochas,
no topo da serra. Juntos esses ecossistemas explodem: as espécies
animais e vegetais multiplicam-se de modo extraordinário, e muitas
delas não se encontram em nenhuma outra parte do planeta.
Durante os anos 80, grande parte da área
da Juréia foi escolhida pela NUCLEBRÁS para implantar
duas usinas nucleares: Iguape 4 e Iguape 5. Para manter as usinas
nucleares sob proteção criou-se a Estação
Ecológica da Juréia (1980), com 23.600 hectares, ficando
proibido o acesso de qualquer cidadão que não fosse
pesquisador ou cientista.
O governo federal desistiu do programa nuclear devido às muitas pressões
sofridas. O custo elevado e, principalmente o movimento popular, liderado
por Ernesto Zwarg e Arnaldo
Paschoalino, Conselheiros de Honra da Mongue, o programa nuclear
foi encerrado e, em 1985, a NUCLEBRÁS retirou-se do local, voltando a área
a correr riscos de degradação devido, desta vez, ao retorno
das pressões imobiliárias. A empreiteira Gomes de Almeida Fernandez
tentava construir na área do Rio Verde uma "cidade Ecológica" para
70 mil habitantes.
A imensa preocupação quanto ao destino da Juréia levou
ambientalistas, políticos e organizações não
governamentais a reivindicarem providências contra agressões
de mais um paraíso natural, resultando na criação da
Estação Ecológica da Juréia-Itatins em terras
dos Municípios de Iguape, Peruíbe, Miracatu e Itariri, com
a finalidade de assegurar a integridade dos ecossistemas exigentes e de proteger
sua flora e fauna, bem como sua utilização com objetivos educacionais
e científicos, através do Decreto
Estadual nº 24.646, de 20 de fevereiro de 1986, que foi regulamentado pela Lei
nº 5.649, de 28 de abril de 1987, englobando a Serra dos
Itatins e aumentando sua extensão para os atuais 79.245 hectares. (Veja
o mapa)
Com o aumento da área protegida alguns núcleos de moradores
passaram a fazer parte da Estação, numa contradição
que gera tensões até os dias atuais. Passados 15 anos de sua
criação permanecem as brigas jurídicas que impedem o
processo de indenização e reassentamento dos moradores tradicionais,
conforme manda o Decreto Nº 4.340 de 22 de agosto de 2002, em seu capítulo
IX. Alguns moradores movem processos que exigem indenizações
bilionárias. Enquanto outros que não contam com assessorais
jurídicas, morrem a míngua.
Tentando amenizar este problema o IF faz vistas grossas ao processo
de degradação
que sofre, por exemplo, o Núcleo do Itinguçu, pertencente ao
município de Iguape, localizado na face sul da Serra dos Itatins,
a 18 Km do centro de Peruíbe.
A área utilizada pelos visitantes do Núcleo se concentra no
Ribeirão Itinguinha, na altura da formação da Cachoeira
do Paraíso. Conta com vários quiosques,
instalados na área do estacionamento, que servem bebidas e salgados,
com área para piquenique, além de barracas situadas na estrada
de acesso.
O período de maior visitação acontece nos meses de janeiro,
fevereiro, março e dezembro, recebendo, no auge do verão até 5
mil pessoas em um fim de semana. Da mesma forma a Vila da Barra do Una, o
Canto da Praia da Juréia, dentro da área da estação
e a praia do Guaraú, esta fora da UC, recebem grande impacto com a
chegada desordenada de milhares de turistas.