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ÁREA DE ATUAÇÃO


EEJI - ESTAÇÃO ECOLÓGICA DA JURÉIA-ITATINS - Estações Ecológicas


As Estações Ecológicas pertencem ao grupo de unidades de conservação de proteção integral e destinam-se à preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites e à realização de pesquisas científicas, que devem ser autorizadas pelo IBAMA, estando sujeitas as normas por este estabelecidas.

A visitação pública só é admitida com objetivos educacionais, sendo necessário autorização prévia. A EEJI é administrada pelo Instituto Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. É através deste órgão que as autorizações para Pesquisa devem ser obtidas.

Nas Estações Ecológicas (ESEC ou EE) poderão ser permitidas pesquisas que ocasionem alterações nos ecossistemas em casos de: medidas que visem a restauração de ecossistemas modificados; manejo de espécies com a finalidade de preservar a diversidade biológica; coleta de componentes dos ecossistemas com finalidades científicas; pesquisas científicas cujo impacto sobre o ambiente seja maior do que aquele causado pela simples observação ou pela coleta controlada de componentes dos ecossistemas, em uma área correspondente a no máximo três por cento da extensão total da unidade e até o limite de mil e quinhentos hectares. Deve-se ainda levar em consideração o que determina o plano de manejo da área.

Estação Ecológica da Juréia-Itatins

A Juréia faz parte do Lagamar, região que se estende por uma faixa de 200 km em linha reta, entre os municípios de Iguape e Cananéia, no litoral sul de São Paulo, Antonina e Paranaguá, no norte do Paraná. Considerado um dos três principais conjuntos de ecossistemas do mundo em termos de produtividade primária e uma das últimas regiões não-poluídas do Atlântico Sul, o Lagamar é formado por centenas de cursos d'água que descem a Serra do Mar e por rios de maré, lagunas, mangues e um mar interior protegido por ilhas como a do Cardoso, a Comprida e a das Peças. Além de sua importância ambiental, o Lagamar é um marco na história de São Paulo: lá, o português Martim Afonso de Souza aportou em 1532, iniciando o processo de colonização do Estado. O primeiro marco de ocupação aconteceu a mando do Imperador Dom Pedro I, que ordenou a construção do Caminho do Imperador na área. Este foi muito utilizado durante a Guerra do Paraguai, pois através dele transitava o Correio Del Rei, porém teve maior movimentação com o Marechal Rondon, que lá instalou pontes de ferro vindas da Inglaterra, ligando o Rio de Janeiro ao sul do país.

No período de colonização, na busca por ouro, os portugueses usaram a Trilha do Imperador, que corre até hoje através da região conectando São Vicente e a Vila de Cananéia. Mais tarde, a mesma trilha recebeu postes telegráficos, e ficou conhecida como a Trilha do Telégrafo.

Com uma área de 800 quilômetros quadrados, no litoral sul de São Paulo, a Juréia guarda uma riqueza biológica que poucos locais da Terra podem igualar. Toda esta riqueza impressiona a todos.

O pesquisador Edward Wilson, da Universidade Harvard, um dos maiores especialistas em biodiversidade, diz que a Mata Atlântica é um dos dezessete ambientes do mundo cuja preservação é imprescindível. E a Estação Ecológica de Juréia-Itatins, no litoral sul paulista, é uma parte essencial do que resta da Mata Atlântica, hoje reduzida a 9% da área que tinha em 1500. Com uma área de 800 quilômetros quadrados, a Juréia é, de acordo com o geógrafo Aziz Ab'Sáber, da Universidade de São Paulo, "o mais completo mostruário de todos os ecossistemas tropicais do Brasil".

Ela guarda uma riqueza biológica que não existe mais, a não ser lá. Isto ocorre devido as condições excepcionais de sobrevivência, criadas pela união de seis ecossistemas bem diversos: a areia das dunas, o lodo do manguezal, o solo encharcado de água salobra, característico da restinga, as árvores altas das florestas de planície, as matas de encosta, e os vegetais rasteiros das rochas, no topo da serra. Juntos esses ecossistemas explodem: as espécies animais e vegetais multiplicam-se de modo extraordinário, e muitas delas não se encontram em nenhuma outra parte do planeta.

Durante os anos 80, grande parte da área da Juréia foi escolhida pela NUCLEBRÁS para implantar duas usinas nucleares: Iguape 4 e Iguape 5. Para manter as usinas nucleares sob proteção criou-se a Estação Ecológica da Juréia (1980), com 23.600 hectares, ficando proibido o acesso de qualquer cidadão que não fosse pesquisador ou cientista.

O governo federal desistiu do programa nuclear devido às muitas pressões sofridas. O custo elevado e, principalmente o movimento popular, liderado por Ernesto Zwarg e Arnaldo Paschoalino, Conselheiros de Honra da Mongue, o programa nuclear foi encerrado e, em 1985, a NUCLEBRÁS retirou-se do local, voltando a área a correr riscos de degradação devido, desta vez, ao retorno das pressões imobiliárias. A empreiteira Gomes de Almeida Fernandez tentava construir na área do Rio Verde uma "cidade Ecológica" para 70 mil habitantes.

A imensa preocupação quanto ao destino da Juréia levou ambientalistas, políticos e organizações não governamentais a reivindicarem providências contra agressões de mais um paraíso natural, resultando na criação da Estação Ecológica da Juréia-Itatins em terras dos Municípios de Iguape, Peruíbe, Miracatu e Itariri, com a finalidade de assegurar a integridade dos ecossistemas exigentes e de proteger sua flora e fauna, bem como sua utilização com objetivos educacionais e científicos, através do Decreto Estadual nº 24.646, de 20 de fevereiro de 1986, que foi regulamentado pela Lei nº 5.649, de 28 de abril de 1987, englobando a Serra dos Itatins e aumentando sua extensão para os atuais 79.245 hectares. (Veja o mapa)

Com o aumento da área protegida alguns núcleos de moradores passaram a fazer parte da Estação, numa contradição que gera tensões até os dias atuais. Passados 15 anos de sua criação permanecem as brigas jurídicas que impedem o processo de indenização e reassentamento dos moradores tradicionais, conforme manda o Decreto Nº 4.340 de 22 de agosto de 2002, em seu capítulo IX. Alguns moradores movem processos que exigem indenizações bilionárias. Enquanto outros que não contam com assessorais jurídicas, morrem a míngua.

Tentando amenizar este problema o IF faz vistas grossas ao processo de degradação que sofre, por exemplo, o Núcleo do Itinguçu, pertencente ao município de Iguape, localizado na face sul da Serra dos Itatins, a 18 Km do centro de Peruíbe.

A área utilizada pelos visitantes do Núcleo se concentra no Ribeirão Itinguinha, na altura da formação da Cachoeira do Paraíso. Conta com vários quiosques, instalados na área do estacionamento, que servem bebidas e salgados, com área para piquenique, além de barracas situadas na estrada de acesso.

O período de maior visitação acontece nos meses de janeiro, fevereiro, março e dezembro, recebendo, no auge do verão até 5 mil pessoas em um fim de semana. Da mesma forma a Vila da Barra do Una, o Canto da Praia da Juréia, dentro da área da estação e a praia do Guaraú, esta fora da UC, recebem grande impacto com a chegada desordenada de milhares de turistas.