PAUTA SOCIAL
"OLHAR CAIÇARA" CONQUISTA APOIO DO MINISTÉRIO DA CULTURA
Projeto realizado pela ONG Mongue abrange desde Parati até Paranaguá
4/6/2007
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O projeto cultural Olhar Caiçara, criado pela comunidade caiçara da Juréia, no litoral sul paulista, e gerenciado pela organização não-governamental Mongue Proteção ao Sistema Costeiro, conquistou o apoio financeiro da Petrobrás, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
Com o patrocínio ao longo de 12 meses, algumas das comunidades litorâneas existentes de Parati, no Rio de Janeiro, até Paranaguá, no Paraná, ganham seu primeiro projeto de intercâmbio e registro da cultura de populações tradicionais. "O Olhar Caiçara" vai promover o intercâmbio cultural entre as diversas comunidades e vai usar o audiovisual para isso. A partir do próprio ponto de vista, eles poderão conhecer, registrar e preservar suas tradições", explica o secretário-executivo da ONG, Plínio Melo.
No dia 3 de junho acontece a primeira ação, na cidade de Cananéia, quando um morador de Ubatuba, litoral norte de São Paulo, o Julinho Mendes, conhecerá a Domingueira de Fandango, uma festa em praça pública. Outras ações estão programadas para 29 de junho, em Ubatuba, na Festa de São Pedro, e em 4 de agosto na da Serraria, uma comunidade isolada de Ilha Bela.
O Olhar Caiçara conta com o apoio de professores do GENS, uma empresa prestadora de serviços educacionais e da ONG Cala Boca Já Morreu. O projeto é uma conseqüência do sucesso da ação anterior da Mongue, o "Viola Peregrina", que teve como condutor a chamada viola iguapeana, também conhecida como viola branca, que existe apenas nesta região de Iguape, no litoral sul paulista. Uma viola foi produzida por luthiers locais e peregrinou por várias comunidades da Juréia. "Registramos músicas, danças e festas religiosas de caiçaras", explicou Plínio Melo.
Nos últimos anos, moradores das comunidades tradicionais se transferiram para a cidade por causa das restrições ambientais. Com isso, perderam os vínculos com a tradição caiçara, caracterizada pela transmissão oral dos conhecimentos. Além registrar manifestações culturais na forma de vídeo em DVD, programas de rádio em CD, textos, site e blog, o Viola Peregrina gerou renda para mais de 200 pessoas em sua fase inicial.
Se o "Olhar Caiçara" também for um sucesso, a Mongue pretende executar a terceira etapa do projeto. "Vamos buscar financiamento para construir um bairro temático reproduzindo um vilarejo caiçara com Escola, uma cooperativa de cantadores e luthiers, uma casa para produção de doce, um restaurante caiçara, um local para produção artesanal de farinha onde os envolvidos poderão utilizar os equipamentos de marcenaria, adquiridos para produzir e obter renda com a venda de seus trabalhos e artesanatos", adianta Melo.
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