Vídeos produzidos pelos adolescentes
Clique aqui para conhecer o trabalho junto a esses adolescentes.
Uma das idéias básicas do Projeto Olhar Caiçara é registrar festas tradicionais que ainda são mantidas em cinco regiões do litoral paulista, sob a ótica de moradores adultos e também de alguns adolescentes envolvidos na proposta de registro da cultura caiçara.
O olhar dessa população, ou seja, o que sentem e pensam sobre os costumes de seus antepassados e o modo como lidam com essa memória cultural, resultará num grande documento em forma de fotografia, entrevistas de rádio e vídeo-documentário.
Os adolescentes, em especial, estão recebendo, ao longo do processo do Olhar caiçara, orientação para criarem - eles próprios - produções audiovisuais sobre assuntos de seu real interesse, gerados pelo contato com a paisagem, as pessoas, as histórias ou causos que povoam o imaginário dos locais.
Para realizar esse tipo de trabalho, que significa bem mais do que simplesmente colocar nas mãos deles a câmera digital para registro, o Olhar Caiçara conta com a assessoria do Projeto Cala-boca já morreu e do GENS, que há 12 anos criou uma metodologia apoiada no conceito da co-gestão, como forma de assegurar a participação efetiva dos membros do grupo em todas as etapas de produção das mensagens, desde a definição do tema, à produção, gravação e avaliação do processo e do produto.
Muito além da manipulação dos equipamentos, há a intencionalidade de aprender a pensar sobre o quê e por que mostrar esta imagem e não aquela... Para que isso aconteça é preciso aprender a ouvir, perder a timidez para defender ponto-de-vista, tomar decisões e, principalmente, dialogar sobre a realidade que vivem.
O processo pressupõe muita conversa em torno do entendimento e das opções de cada um; convencer e/ou ser convencido de que esse ou aquele modo de tratar o objeto a ser gravado, tendo em vista os objetivos previamente acordados, é, neste sentido, muito mais que captar imagens para uma exibição. É, antes de tudo, a expressão de um posicionamento político na sociedade. Ou antes: a aprendizagem, na prática, de uma forma de uma organização social de baixo pra cima. Algo muito diferente, portanto, dos 500 anos de história do nosso país, em que pouquíssimas vezes pudemos ser os reais autores do nosso destino.
O registro do Olhar Caiçara pelos próprios caiçaras, configura-se, então, como uma ação essencialmente política, que se fundamenta no respeito aos seus modos de ser-pensar-agir. Nesse sentido, portanto, mais valioso que o produto é processo que, em última análise, busca ser uma forma de contribuir para que possam, ao acessar a própria cultura, dela se apropriarem e, a partir daí, decidirem sobre o próprio futuro.