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Não pensei que aqui tivesse
tanta gente hospitaleira
começaram a festa cedo
e dançaram a noite inteira
quero muito agradecer
ao povo da Barra do Una
pois sem esta gente unida
não tinha festa nenhuma
povo bom, trabalhador,
todos de família honesta
devotos de Santo Antonio
o padroeiro da festa
(Cleiton do Prado, em versos improvisados ao final da Festa)

A Vila Barra do Una recebeu, nos dias 11 e 12 de junho, a equipe do Projeto Viola Peregrina para o registro da comemoração de Santo Antonio. Vestida para festa, a “rua do meio” foi enfeitada com bandeiras e as 13 barraquinhas montadas pelos moradores da comunidade ofereciam um cardápio caiçara variado: marisco, ostra, de peixe frito, cuscuz, pinhão e frango assado.

A cerimônia começou no sábado, com uma procissão trazendo a imagem de Santo Antonio até o altar montado no Centro Comunitário e, após a reza, foi erguido o mastro com muita cantoria, segundo a tradição caiçara. A parte profana da comemoração teve início com a quadrilha e ‘esquentou’ com o baile de viola. E mais uma vez a tradição foi respeitada: o baile amanheceu.
Na manhã de domingo, durante a cerimônia de descida do mastro, os versos de agradecimento feitos no repente por ‘seu’ Pradel contemplaram os moradores de todas as épocas e crenças: desde os visitantes que foram à festa pela primeira vez até aqueles que não compareceram por questões religiosas.
Tem se tornado um fato muito comum que os caiçaras convertidos para as religiões evangélicas sejam impedidos de participar dessas festividades, ou que, mesmo presentes, abstenham-se de cantar e dançar. ‘Seu’ Zé Pequeno e D. Cecília são um exemplo disso: ele é um exímio tocador de viola ela foi uma das únicas mulheres cantadoras dos antigos fandangos da Juréia. Atualmente, ‘seu’ Zé nem pega na viola e D. Cecília só canta hinos religiosos. O envolvimento criado pela comunidade neste encontro, entretanto, colocou a viola nas mãos de Zé Pequeno e D. Cecília declamou alguns versos de uma canção muito conhecida chamada Vento Leste.
Cecília, Pradel e Zé Pequeno

Esse foi o tom do encontro dos antigos e novos companheiros, caiçaras do litoral sul de São Paulo: acolhimento, respeito, saudade, alegria. É isto que o registro em vídeo do Viola Peregrina vai retratar com mais fidelidade e que aqui encerra com a frase ouvida de um participante:
“Faz mais de 20 anos que não tem uma festa destas”.
“Ouvindo uma moda destas não fica mulher solteira”
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