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A coreografia do Passadinho é bastante simples. Vamos emprestar de Miguel Mahfoud [1] sua descrição e análise:
"Segundo os bons costumes da comunidade e, para evitar ciúmes, mal-entendidos e desavenças entre os casais, ali se dança quase só o "passadinho", ou "cocha-corda". A música inicia, os que querem dançar se colocam ao centro da sala formando um círculo, intercalando homem e mulher. Na roda, todos se entreolham. É um momento especial, o de escolher, de se colocar ao lado de uma certa pessoa. Até que o círculo não se complete com um bom número de pares, outras pessoas, que estão à volta observando, são convidadas a entrar. Em seguida, os homens se voltam à esquerda e as mulheres à direita, e vão em frente com passos curtos, "arrasta-pé", bem ao ritmo da viola, desviando uma vez à direita, outra vez à esquerda, de tal forma a entrelaçar o fluxo dos homens e o das mulheres. A proposta é dançar não tocando um no outro. Mas a sensualidade não fica fora da roda, quando a cada passo se depara, frente à frente, bem próximo, com um novo parceiro; e o molejo da dança, com o balançar dos braços, acaba permitindo, de relance, algum toque furtivo, às vezes indiscreto, sob o riso e observação atentíssima dos que estão à volta. Faz parte da festa..."
O Viola Peregrina fará o registro do Passadinho durante a festa de São João na Cachoeira do Guilherme.
[1] Miguel Mahfoud
Mahfoud , Miguel. "Folia de Reis: festa matriz ou experiência religiosa em comunidades da EEJI na perspectiva da psicologia social fenomenológica", Tese de doutoramento, Instituto de Psicologia/USP, 1996.
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