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Interior Cd :: Letras e Autores das Músicas
Introdução
"Ensinar eu não sei, não.
Eu toco de frente pra ele.
Se ele tiver o dom ele aprende".
Com estas palavras o violeiro Ciro Martins definiu o modo caiçara de transmitir seus conhecimentos. Ele responida à indagação feita pelo roteirista do projeto - Ciro, você consegue ensinar o seu filho Leonardo (10 anos) a tocar Viola ? O interesse era elaborar o roteiro para o Projeto Viola Peregrina que espelhasse o modo de vida caiçara. É através da repetição dos gestos que as comunidades caiçaras aprendem as danças, a confeccionar instrumentos, a plantar ou "fornear" uma boa farinha. É desta forma que os mais novos aprendem e reproduzem os saberes caiçaras através das gerações. Estes hábitos, entretanto, estão sendo alterados pela migração dos caiçaras para a periferia das áreas urbanas, onde passaram a conviver com outras culturas, modos de produção e religiões. Essa modificação do espaço de reprodução material e social resultou em graves limitações às atividades tradicionais de agricultura, caça, pesca e, principalmente, a alteração dos hábitos culturais. Procurando incentivar a manutenção dos costumes entre os moradores da área da Estação Ecológica da Juréia-Itatins e seu entorno (território caiçara que foi transformado em unidade de conservação ambiental), a Mongue Proteção ao Sistema Costeiro registrou as manifestações culturais ainda existentes na região, durante o Projeto Viola Peregrina, patrocinado pela Petrobrás, através da Lei de Incentivo à Cultura.
Ao final das gravações, enquanto aguardamos a edição final do documentário e como forma de agradecimento ao empenho de todos aqueles que ajudaram para que o Projeto Viola Peregrina alcançasse seus objetivos, produzimos este CD com as músicas mais tocadas nos fandangos da Juréia. Esta é mais uma maneira de garantir que os fandangos continuem vivos com suas violas e violeiros.
Mongue Proteção ao Sistema Costeiro
Capa Cd/Indice Músicas [O CD na Rádio Web] [topo]
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Interior CD [O CD na Rádio Web] [topo]


Letras e Autores das Músicas [O CD na Rádio Web] [topo]
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Viola tampo de pinho
Tampo de pinho
Cavalete de canela
Ai ,de canela
Benzinho não faça isso por caridade
Senão a minha família não vai gostar
Eu pego minha mala e vou pra cidade
Sei que você comigo nunca vai morar
Ela chora no meu braço
Ai, no meu braço
Eu choro no braço dela
No braço dela
REFRÃO
Essa viola que eu toco
Viola que eu toco
Não é minha ,é emprestada
É emprestada
REFRÃO
O dono dessa viola
Dessa viola
Trago no peito guardado
Peito guardado
REFRÃO
Eu vou dar a despedida
A despedida
No braço dessa viola
Dessa viola
REFRÃO
Quando estou na tristeza
Estou na tristeza
E ela que me consola
Que me consola
REFRÃO |
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Fui descendo rio abaixo
Remando contra a maré
Inventei uma parada
Já me chamaram para ver quem é
Me ajude camarada, meu camarada
Eu te peço de favor
Que também te ajudarei, eu te ajudarei
Quando fores cantador
REFRÃO 1
Se eu soubesse que aqui tinha, que aqui tinha
Esse mestre cantador
Eu trazia lá de casa, ai lá de casa
Meu canário dobrador
Eu cheguei na casa dela
Já me mandaram sentar
Falaram em casamento
Fui obrigado a me declarar
Dancem, dancem, minha gente, ai minha gente
Aproveite enquanto eu quero
As cordas são de arame , são de arame
Meus dedos não são de ferro
REFRÃO 2
Eu vinha vindo cansado, vindo cansado
De cansado me sentei
Alcancei o que queria, o que queria
Agora descansarei
REFRÃO 1
Se soubesse aqui não vinha, aqui não vinha
Não era que não soubesse
Ate as flores do campo, flores do campo
Pediram que eu não viesse
REFRÃO 2
Eu vou dar por despedida, por despedida
Meu camarada irmão
Por você dou minha vida, dou minha vida
Por outro darei ou não
REFRÃO 1 |
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Quem não dança, balança criança
Não senta na sala pra não atrapalhar
Sanfoneiro, beba mais um gole
Mexa nesse fole que o povo quer dançar
Bendito, louvado seja, oi, lai
Que estou bem aparelhado, oi, lai
Sanfoneiro, beba mais um gole
Mexa nesse fole que o povo quer dançar
Principalmente a rapaziada
E mulheres casadas que querem brincar
Deixe o lugar pra quem pode
Fazer o pagode
Pro baile não parar
Meu amigo de uma banda, oi, lai
Meu colega de outro lado, oi, lai
Quem não dança, balança criança
Não senta na sala pra não atrapalhar
Sanfoneiro, beba mais um gole
Mexa nesse fole que o povo quer dançar
Eu vou dar a despedida, oi, lai
Que eu não posso mais cantar, oi, lai
Quem não dança, balança criança
Não senta na sala pra não atrapalhar
Sanfoneiro, beba mais um gole
Mexa nesse fole que o povo quer dançar
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Ai, toda vez que o galo canta
Ai, no recanto onde eu moro
Aprendi à namorar
Debaixo do pé da marva
Cada folha que caía
Era um susto que eu levava
Cada flor que florescia
Ai, era um suspiro que eu dava
Ai, quando me bate a saudade
Ai, saio no terreiro e choro
REFRÃO
Ai, cinturinha de boneca
Ai, quero ver não tenho medo
REFRÃO
Ai, ando querendo te amar
Ai, ando procurando jeito
REFRÃO
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Se ajuntou-se dois alegres
Para tocar e cantar
Pra alegrar dois corações
Que morreu de imaginar
Convidei meu coleguinha
Pra ir na praia passear
Para dar uma voltinha
Pro lado da beira mar
Eu aqui com o camarada
Fazemos o que queremos
No outro dia cedinho
Quando o barco apareceu
Eu olhei pra moreninha
Ai, meu Deus que já não
Cantar como já cantei
Já bebi água de rosa
Que até na fala mudei
Refrão 1 e 2
Quero dar a despedida
Que nem essa, ninguém deu
Borboleta cor de cravo
Chegai seu rosto com o meu
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Bendito louvado seja, moreninha
Que estou bem aparelhado,ai
Um amigo de uma banda, moreninha
Um colega de outro lado, ai
Namorei uma donzela, moreninha
Filha do rei da cidade
Eu não sei tocar viola, moreninha
Nem cantar coisa que preste
O meu pai não me ensinou moreninha
Minha mãe não me deu mestre
Namorei uma donzela, moreninha
Filha do rei da cidade
Viola tampo de pinho, moreninha
Cavalete de canela
Ela chora no meu braço, moreninha
Eu choro no braço dela
Namorei uma donzela, moreninha
Filha do rei da cidade
Eu vou dar a despedida, moreninha
Vocês queiram desculpar, ai
No fim da nossa cantiga, moreninha
Outro que venha tocar, ai
Namorei uma donzela, moreninha
Filha do rei da cidade
Eu já dei a despedida, moreninha
Tornei a continuar, ai
Por causa de uma amiga, moreninha
Que agora saiu dançar, ai
Namorei uma donzela, moreninha
Filha do rei da cidade
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Eu vinha lá do sertão,
Sem ninguém pra conversar
E, me veio na lembrança
De uma modinha eu cantar
Por aquela moreninha
Que perdeu seu namorado
Quanto amor que ela tinha
Hoje vive desprezado
Essa viola que toco
Não é minha, é emprestada
O dono dessa viola
Trago no peito guardado
REFRÃO
Eu vou parar com a viola
Por hoje não canto mais
Eu mesmo conheço em mim
O mal que o cantar me faz
REFRÃO
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Vento leste
Que está ventando
Ventinho da viração ,ai
Quando venta
Vento leste
Maltrata meu coração ,oi ,lari ,larai
Ai, quando pego na viola
Ai, faço meu pensar ligeiro
Vento leste
Que está ventando
Ventinho da viração ,ai
Quando venta
Vento leste
Maltrata meu coração ,oi ,lari ,larai
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Louvado seja meu deus,ai
Oi lai meu bem,ai
Que estou bem aparelhado
Oi lai meu bem,ai
Oi lai meu bem,meu bem larai ,
Nesse mundo não posso viver
Um colega de uma banda
Oi lai meu bem,ai
Um amigo de outro lado
Oi lai meu bem ai
REFRÃO
Me ajude companheiro
Oi lai meu bem,ai
Meu camarada irmão ai
Oi lai meu bem,ai
REFRAO
Porque quando nós cantamos
Oi lai meu bem,ai
Fazemos comparação ,ai
Oi lai meu bem,ai
REFRAO
Estrela Dalva do dia
Oi lai meu bem,ai
Companheira do cruzeiro
Oi lai meu bem,ai
REFRAO
Quero que você me conte
Oi lai meu bem ,ai
Quem foi seu amor primeiro
Oi lai meu bem, ai
REFRAO
Quero dar a despedida
Oi lai meu bem,ai
Com a viola vou parar ai
Oi lai meu bem,ai
REFRAO
O meu dedo não agüenta
Oi lai meu bem,ai
Minha voz já quer falhar
Oi lai meu bem,ai
REFRAO
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Ninguém queira passar a vergonha que passei
No carnaval
No carnaval
Chorei que me arregalei
Namorei moça bonita
Moça bonita
Mas com ela não dancei
Dancem, dancem minha gente
Aproveite enquanto eu quero
As cordas são de arame
Meus dedos não são de ferro
REFRÃO
De correr venho cansado
De cansado me sentei
Alcancei o que queria
Agora descansarei
REFRÃO
Joguei a pena pra cima
Caiu no chão fez um “S”
Eu também tenho carinho
No peito de quem merece
REFRÃO
Eu vou dar a despedida
Por hoje não canto mais
Só agora percebi
O mal que o cantar me faz
REFRÃO
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Quando vai chegando a tarde
Convido meu amiguinho
Passo a mão no meu cavaco
Dou logo um ponteadinho
Só pra ver
Se alguém conhece
O som do meu cavaquinho
Não me canso de tirar
Serenata pro caminho
Somente pra dar sinal
Pra falar com meu benzinho
Tenho pena
Eu tenho dó do pobre do meu anjinho
As águas me perguntaram
Por que chora coração
REFRÃO
Falai, viola, falai
Na palma de minha mão
REFRÃO
Vamos dar a despedida
Como deu o cuitelinho
REFRÃO
Quem tem amor tem vergonha
Quem não tem vive sozinho
REFRÃO
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Quando entrei nesse salão, ai
Meu chapéu tirei na mão, oi lai
Pra saudar o dono da casa
E todos que presente estão, oi lai
Neste sábado passado
Voltei pra casa chorando
Neste sábado passado
Voltei pra casa pensando
Pensando na moreninha
Que lá eu deixei chorando, oi lai
Minha gente me desculpe
Esse meu cantar tremido, oi lai
É costume de quem canta
Em lugar desconhecido, oi lai
REFRÃO
Eu plantei a cana verde
Sete palmos de fundura
Quando foi no outro dia
Já tinha cana madura, oi, lai
REFRÃO
Se eu soubesse tocar viola
Não fazia cerimônia, oi lai
Mas como tocar não sei
To morrendo de vergonha
REFRÃO
Bendito louvado seja
Que estou bem aparelhado, oi lai
Um amigo de uma banda
Um colega de outro lado, oi lai
REFRÃO
Eu vou dar a despedida
Meu camarada irmão, oi lai
Por você dou mimha vida
Por outro darei ou não, oi lai
REFRAO
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Num domingo bem cedinho
Fui na praia passear
Deixei meu lencinho
Em cima da areia
Meu amor que já vem lá
Ai, minha Nossa Senhora
Tanto vos peço Meu Deus,ai
REFRÃO
Tirai-me do meu sentido
Amores que não são meus
REFRÃO
Ai, a corda dessa viola
São brancas e amarelas
REFRÃO
Veja lá como tocais
Ausente do dono dela
REFRÃO
O azul verde e amarelo
Elas são melhores cor
REFRÃO
Na bandeira brasileira
Foi as cores que ficou
REFRÃO
Eu vou dar a despedida
Como deu a cambacica
REFRÃO
Quem espera sempre alcança
Quando logrado não fica
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Eu ontem fui uma festa
O baile tava animado
Muita gente no salão
O salão todo enfeitado
Eu perdi o meu amor, oi lari larai
Lá na vila do prelado
Nesta casa eu nunca vim, oi lari larai
No portão nunca cheguei
Essa gente não conheço, oi lari larai
Com eles nunca brinquei
REFRÃO
Amanhã eu vou embora, oi, lari larai
Correr a costa do mar
Outro dia eu voltarei, oi, lari larai
Se a morte não me levar
REFRÃO
Viola tampo de pinho, oi lari larai
Pinho, caxeta danada
No ,meio desse salão, oi, lari larai
Não me deixe envergonhado
REFRÃO
Ó minha virgem senhora, oi, lari larai
Que estou bem aparelhado
Meu amigo de uma banda, oi lari larai
Dois colegas de outro lado
REFRÃO
Eu vou dar por despedida, oi lari larai
Por hoje não toco mais
No fim da nossa cantiga, oi lari larai
Outro que venha tocar
REFRÃO
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Esses dois quando se juntam, oi , lari larai
E bonito de se ver, oi, lari larai
Esses dois quando se juntam, oi , lari larai
E bonito de se ver, oi, lari larai, ai
Com esse pinho na mão, oi, lari larai
Até o dia amanhecer, oi, lari larai
Com esse pinho na mão, oi, lari larai
Até o dia amanhecer, oi, lari larai, ai
Eu, faz tempo que não canto, oi lari larai
Vou cantar quase não sei, oi lari larai
Eu, faz tempo que não canto, oi lari larai
Vou cantar quase não sei, oi lari larai, ai
Pra te fazer a vontade, oi, lari larai
Por que então não cantarei, oi, lari larai,
Pra te fazer a vontade, oi, lari larai
Por que então não cantarei, oi, lari larai, ai
Essas duas violinhas, oi, lari larai
Parece que são irmãs, oi, lari larai
Essas duas violinhas, oi, lari larai
Parece que são irmãs, oi, lari larai ai
Parece que são irmãs, oi, lari larai
Uma que veio de longe, oi, lari larai
Uma que veio de longe, oi, lari larai
Outra que é do lugar, oi, lari larai ai
Amorosa despedida, oi, lari larai
Saudade de uma afeição, oi, lari larai
Amorosa despedida, oi, lari larai
Saudade de uma afeição, oi, lari larai ai
Saudade de uma afeição, oi, lari larai
Do meu querido benzinho, oi, lari larai
Do meu querido benzinho, oi, lari larai
Prenda do meu coração, oi, lari larai ai
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A maré encheu
A maré apagou
Ela foi embora e nunca mais voltou
Hoje só resta saudade
Do tempo do nosso amor, ai
Quando pego na viola
Não me falta o que pensar, ai
Eu olho no pé da rosa
Faço a rosa perfumar, ai
Eu saí na praia
Quando ela passou
Eu olhei pra ela,ela pra mim acenou
O seu rastrinho na areia
Veio a maré e apagou, ai
A maré encheu
A maré apagou
Ela foi embora e nunca mais voltou
Hoje só resta saudade
Do tempo do nosso amor, ai
Quero dar a despedida
Meu amigo e camarada
Quem no mundo não se arrisca
Não perde nem ganha nada, ai
Eu saí na praia
Quando ela passou
Eu olhei pra ela,ela pra mim acenou
O seu rastrinho na areia
Veio a maré e apagou, ai
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