| |
“O baile tava animado
muita gente no salão
o salão todo enfeitado"
A Mongue comemora em sua sede o aniversário de três anos, com a presença de amigos e da Viola Peregrina.
As organizações do terceiro setor (ONGs) tornam-se cada vez mais presentes em nossos tempos. Afinal, vivemos uma sociedade em rede e percebemos que o Estado e a iniciativa privada não dão conta das necessidades de qualidade de vida e do exercício de cidadania de cada um de nós.
Participar das iniciativas do chamado terceiro setor, portanto, é mais uma alternativa de atuação para os que pensam uma sociedade diferente. A Mongue foi idealizada com a convicção de que é possível reunir pessoas em torno de interesses comuns, de forma organizada e verdadeiramente atuante.
Criada em 9 de agosto de 2002 e tendo como área de atuação o sistema costeiro do litoral sul de São Paulo, a Mongue, em pouco tempo de existência, ‘disse a que veio’. Problemas como a pesca predatória efetuada pelo sistema de arrasto, diminuição da área de manguezais, aterrados para construção e o acúmulo de grandes quantidades de lixo que é jogado ao mar e se deposita nas praias.
Assembléia de criação da Mongue.

Além disso, área é extremamente sensível, pois toda agressão feita ao meio ambiente local se reflete imediatamente na área da Estação Ecológica Juréia-Itatins e na Área de Proteção Ambiental Cananéia Iguape Peruíbe.
A Mongue foi formada em sua maioria por moradores locais, conhecedores dos problemas, da natureza e da cultura. Nesses três anos de atuação, seus participantes estiveram presentes em todas as mobilizações da região, debatendo, apontando e buscando soluções para as questões socioambientais. Sabendo da importância da Internet no apoio à formação e manutenção da sociedade em rede - vivemos tempos de pensar e agir local e globalmente -, a Mongue produziu mais de 60 boletins, distribuídos para pessoas, com informações locais e da mídia, denúncias, eventos.
Entendendo que qualidade de vida passa necessariamente por saúde e educação, temos caminhado ao lado de iniciativas desses setores, por exemplo, patrocinando atletas em Peruíbe e apoiando ações nas escolas locais. Pintura da EMEF Guaraú.

É, no entanto, no Projeto Viola Peregrina que a Mongue melhor reflete sua vocação: estamos organizados em torno dos problemas, mas acreditamos em soluções. Sabemos da gravidade das questões, mas apostamos na alegria e na capacidade de superação da população local. E é cantando, dançando, fazendo e registrando as festas que o Viola vai contribuindo para a re-união do povo caiçara do litoral sul e para a recuperação de sua identidade e auto-estima.
Por isso, sem discursos e sem solenidades, a Mongue comemorou com alegria seu aniversário, junto a amigos e amigas que nos acompanham na peregrinação da Viola, em um animado baile em sua sede, no Guaraú (Peruíbe – SP). As histórias da Mongue e do Viola Peregrina estão sendo partilhadas aqui neste espaço virtual e vão ser reunidas no material a ser distribuído no final do projeto. As emoções, as alegrias, as crises, as marchas e contramarchas, o re-fazer contínuo do projeto estão registrados em cada pessoa que dele participa e naqueles que vão engrossando as fileiras desta luta pelo respeito à cultura e à paisagem caiçara.
Baile na Mongue.

E, para encerrar, nos parece significativo partilhar com os leitores uma fábula:
O amado Baal Shem Tov estava à morte e mandou chamar seus discípulos.
- Sempre fui o intermediário de vocês e agora, quando eu me for, vocês terão que fazer isso sozinhos. Vocês conhecem o lugar na floresta onde eu invoco a Deus? Fiquem parados naquele lugar e ajam do mesmo modo. Vocês sabem acender a fogueira e sabem dizer a oração. Façam tudo isso, e Deus virá.
Depois que o Baal Shem Tov morreu, a primeira geração obedeceu exatamente às suas instruções, e Deus sempre veio. Na segunda geração, porém, as pessoas já se haviam esquecido de como se acendia a fogueira do jeito que o Baal Shem Tov lhes ensinara. Mesmo assim, elas ficavam paradas no local especial da floresta, diziam a oração, e Deus vinha.
Na terceira geração, as pessoas já não se lembravam de como acender a fogueira, nem do local da floresta. Mas diziam a oração assim mesmo, e Deus ainda vinha.
Na quarta geração, ninguém se lembrava de como se acendia a fogueira, ninguém sabia mais em que local exatamente da floresta deveriam ficar e, finalmente, não conseguiam se recordar nem da própria oração. Mas uma pessoa ainda se lembrava da história sobre tudo aquilo e a relatou em voz alta. E Deus ainda veio. [1]
[1]
|
|