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O Projeto “VIOLA PEREGRINA”, patrocinado pela PETROBRÁS e pelo Ministério da Cultura, realizou nesse mês de Janeiro, a “folia de reis”, conhecida também como “reisado”ou “reiada”.
Começamos tocando, primeiramente no Guaraú, visitando três casas, no dia 04; depois, nós visitamos as casas dos caiçaras de Peruíbe, nos dias 05 e 06. Ao todo foram sete casas.
Em algumas das casas que visitamos no Guaraú, precisamos da ajuda das pessoas que acompanharam a ”reiada” de carro, para nos locomover, pois choveu o dia inteiro e as estradas são de terra.
Já em Peruíbe, foi mais fácil, porque as casas eram mais próximas, e, por esse motivo, mais pessoas acompanharam a folia de reis.
Não podemos deixar de citar os comes e bebes.
Em todas as casas visitadas, a fartura era de encher os olhos (e a barriga) dos visitantes.
A reiada terminou, esse ano, na casa do caiçara Toninho do Frango, em clima de festa, com um telão do lado de fora, mostrando a cantoria dentro de casa, e com uma boa dose de fandango no final.


COMO ERA ANTES
Antigamente, a reiada começava no natal, e seguia-se por vários dias, até que fossem visitadas todas as casas do povoado.
A tripulação e os acompanhantes chegavam de surpresa, à noite, sem o dono da casa esperar.
Normalmente, as pessoas do lugar sabiam que “o rei ia passar” mas nem imaginavam o horário, porque as casas eram distantes uma da outra.
Assim, as pessoas da casa, que quase sempre, estavam dormindo acordavam ao som destes versos:
“Acordai, quem está dormindo, do vosso sono profundo, Vinde receber o rei que de noite anda no mundo”.

As visitas, antigamente, eram feitas à pé ou de canoa (à remo), por isso eram demoradas e cansativas, apesar dos divertimentos do caminho. Imagine ficar de quinze a vinte dias sem voltar pra casa...
No caminho, as pessoas ofertavam desde dinheiro, arroz, feijão até criações, como porcos, galinhas, etc.., e, para carregar tudo isso, existia uma pessoa certa; era o “remeiro”(para as viagens de canoa) e o “alferes”(para as viagens à pé).
A REIADA ATUALMENTE
Hoje a reiada ainda é feita todo ano, somente em poucos lugares na região.
Só acontecem no Prelado, Rocio, Iguape, Barra do Ribeira, Cachoeira do Guilherme, Peruíbe e outros pouquíssimos locais.
Os foliões já estão ficando com idade avançada; alguns já nem podem andar, e, são poucos os jovens que se dedicam à aprender o “ofício”.
Dentro da Juréia, atualmente, só o violeiro Sr.Pradel Martins está exercendo a função de folião, por conhecer várias toadas de folia de reis e também outras folias , como a folia de bandeira.
Há alguns anos atrás, Pradel “tirava”o rei nas comunidades da Praia do Una, Rio Verde, Barra do Una , Aguapeú, entre outras, mas hoje, pela difculdade, e por ter poucos moradores, a viagem fica quase impossível.
CULTURA E RELIGIÃO
A reiada, para os caiçaras, alem de ser época de confraternização, é uma manifestação importante para a cultura.
É uma devoção, por representar a caminhada dos três reis magos à procura de José e Maria até chegarem à manjedoura, onde Jesus nasceu.
A gravação da reiada nos mostrou, mais uma vez, que a nossa cultura permanece viva, e que tanto no sitio quanto na cidade, os caiçaras ainda continuam seguindo a religião à sua maneira acompanhando suas leis e costumes, indo ao fandango, tocando viola, etc...
COMENTÁRIOS DOS CAIÇARAS
“A reiada de Pradel é a mais bonita que já ouvi”.(Teco).
“Nunca recebi uma visita tão bonita. A gente fica emocionado”.(Peninha)
“Espero que no ano que vem, vocês me visitem de novo”.(Dra.Vera)

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