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Ouça o registro sonoro do depoimento do Sr. Ernesto Zwarg
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Transcrição:
Plínio Melo
"Eu queria antes, apresentar a vocês um Patrono da Mongue, que é um violeiro, compositor, cantor muito conhecido de vocês, já devem ter visto ele passar de um lado pra outro, rapidamente, como se fosse o próprio Abarebebê. Mas não é, ele é o Gnomo da Juréia, o Ernesto Zwarg, por favor, Ernesto.
O Ernesto é nosso Patrono, como eu disse, juntamente com o Arnaldo Paschoalino; são duas correntes diferentes, mas são duas pessoas que se completam e é essa a proposta da Mongue. Se completar e lutar por tudo sem ter um compartimento ou uma linha específica de atuação.
Eu queria que o Ernesto contasse rapidamente, um pouco da sua atuação, da sua luta pela Juréia, para que os mais jovens conhecessem a importância do Ernesto, um homem que, praticamente, sozinho, pelo menos aqui na linha de frente impediu a construção de usina atômica, numa época em que não se podia nem falar, nem pensar contra o governo.
O Ernesto, com uma bandeirinha de papel pequena, pedindo paz, invadiu um submarino nuclear americano no porto de Santos... Lembra?
Algumas coisas já lhe fugiram da memória pela idade e espero eu um dia chegar nessa idade também, mas com uma diferença, eu quero chegar nesta idade tendo pra contar o que o Ernesto tem pra contar, o que ele viveu e o que ele fez."
Ernesto Zwarg
"Mamãe...que susto, uma responsabilidade desta, é muito grande pra o coração do vovô, mas daqui a pouco tomo uma Jurubeba e fica tudo bem.
O andarilho, pouca gente até sabe, aqui no Estado de São Paulo,exatamente, houve uma revolução de 1932, meu pai, minha mãe, todo mundo foi pra revolução. E aqui então, aquela brigaiada em direção ao Paraná. Por isso que começou o caminho do Imperador.
Tinha que ir todo mundo, quanta vez eu fui pra Iguape a pé, virando cambalhota... numa alegria... de repente começaram a proibir. Não pode, não pode, não é mesmo?
Tem que ter o direito... a hora e a vez de Augusto Matraga, é a hora do povo agora. O povo tem o direito de receber de volta o chão natal. Nós queremos ir pra rua... pra Iguape e à pé, nós queremos ir a pé, não queremos ir de carro, nem de carruagem, queremos ir a pé.
Eu já falei, a questão de São Paulo, com a briga lá do Paraguai, então o telégrafo nacional foi por causa que Dom Pedro Segundo mandou, pra defender, né, aqui, da guerra do Paraguai, mas de qualquer forma eu quero falar mesmo é dos praianos, dessa beleza que é o ser praiano e eu sempre toquei viola e toco violão ainda. Agora eu vou ter vergonha de pegar violão e cantar, mas eu sempre fui um violeiro. Sempre fui apaixonado pela Juréia. Tô até fazendo camisetas com a parte atrás com a partitura musical, quem quiser - 'O correio do Imperador'. Eu não vendo nada mas tem pessoas que cuidam disso aí. Ninguém quer vender a coisa, nada, a gente quer só a participação. Os que pretendam ter essa camiseta, é só escrever lá para a orientação, com meu filho.
Acho que já tomei muito tempo de vocês e tem uma sinhazinha me esperando lá em Iguape."
Ernesto Zwarg
Patrono da Mongue
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