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Na transcrição desta fala, é importante esclarecer que, embora o texto tenha passado por uma "peneira grossa" em relação à norma culta do idioma, optamos por não submetê-lo a uma "peneira fina". Esta escolha deve-se à convicção de que, se desconfigurarmos excessivamente a fala, não estaremos na realidade 'ouvindo' sua voz. É, portanto, por uma questão de respeito e legitimidade que tentamos preservar um pouco o modo de falar da pessoa que deu este depoimento.
Ouça o registro sonoro do depoimento da Sra. Paula Tavares Martins
.wma (427Kb)
Transcrição:
"Meus senhores e minhas senhoras, boa tarde.
Agradecendo a Deus nosso Divino Pai por estar aqui na presença dos meus amigos e amiga da Juréia. Eu vim aqui, a chamado do seu Plínio Melo e da Dona Teresa, que aceite um abração meu e tudo que tão me ouvindo. Eu vim fazê uma homenagem ao pessoal do meio ambiente da Juréia que estão, falar a verdade, sofrendo. Então eu vim aqui pra dá um apoio pro Plinio Melo, conforme ele tá fazendo esse projeto que Deus Nosso Senhor Jesus Cristo nesta hora sagrada teje ouvindo todo o que esse pessoal tão falando. O seu Antonio, que também manda no meio ambiente, que abra, uma brechinha de trabalho; não pra nós que estão já aposentado, que já fizeram a sua vida, mas tem os inocente que vive vivendo, vendo o padecimento que seu pai, que a sua mãe tá passando, e nós não queremo ver o nosso sobrinho, os nossos filho sofrendo.
Primeiro todo mundo trabalhava no trabalho de roça, de desmatação, hoje não precisa desmatar a Mata Atlântica pra sobreviver porque Deus deixou tudo meio. Hoje tem os pesquisador, tem os rapaz, as moça que estudaram, sabem como se cuida do meio ambiente, não deixam caí um lixo no chão, meus irmão. Dantes era diferente porque ninguém entendia o que era este mundo do primeiro milênio, do dois... agora são os três milênio, não tem mais inocente, já sabem o que é um meio ambiente. Já sabem como é preservar uma natureza.
Não adianta preservar uma natureza e fazer o povo que mora lá morrer de fome.
Eu quero que o Governador escute, os pessoal que manda no meio ambiente, o Seo Joaquim, que tenha piedade de quem mora na Juréia, que é um filho de Deus. Que é ele que tá preservando a natureza, que ele que ta cultivando, são eles que moram lá, que fazem as trilha pros pesquisador, pros guarda entrarem neles. Se não fosse nós, o que seria do meio ambiente? Como que eles iam entrá na mata lá? Que eles vão olhá como que tá o meio ambiente, que sujeira que tá o meio ambiente, caminho, trilha, só mato, rio, tudo entupido que não dá pra passá. Um filho de Deus fica lá dentro preso não pode sair. Fica uma pessoa doente, morre lá porque não tem ajuda do meio ambiente de jeito nenhum. Nós precisamos, nós somo filho de Deus.
Então eu quero que abra uma brechinha nesse projeto que o Plinio vai fazer, que dê pra o pessoal sobreviver lá dentro. Porque um jardim sem planta não é jardim. Eu falo sem medo porque eu moro lá, eu conheço, quem tá dentro da Juréia sou eu. To com 64 ano morando lá, me criei lá. Primeiro nós tinha nossa liberdade, de trabalhar onde nós queria. Hoje, como seu Peixe falou... eu confirmo o que ele falou, se nós queremo fazer uma casinha temo que pedir ordem pra fazer a nossa casa. Nós somo dono da mata, nós somos dono absoluto, dono mesmo. Nós criemo-se lá, querem pensar que nós somo donos absoluto, não senhor... nós somo dono registrado por Deus lá no sitio aonde nis moramo.
Então nós precisamo que os governador olhem por esse povo, pelo pessoal que tão no meio ambiente. Eu não vou contra o meio ambiente porque é ele que traz o ar pra nós viver, né? Ele que traz o ar, se não fosse o ar nós não vivia. Mas quem preservou o meio ambiente não fomo nós? Não somo nós que tamo lá? Somo nós que tamo cultivando.
Então hoje eu vim aqui a pedido da Teresa, que ela teve na minha casa, ele teve fazendo pesquisa lá, ela viu a cada sofrimento que nós passamo por lá. Então hoje eu estou aqui no nome da Teresa. Aqui, to muito orgulhosa por ser um caipira do mato, mas tá aqui no meio de tanto povo tantas pessoa. Eu queria que tivesse tudo o pessoal da Juréia, do Guaraú, de todo lugar tá aqui pra tá escutando, mas eu quero que o Governador escute. Aonde passar a minha voz, que semeie pro mundo inteiro que olhe por esses inocente. Por os velho não, mas por as criança que estão crescendo, que tenham sua vida, que vivam uma vida digna. Que agora no Natal, um Natal tão lindo que vem, dia que Nosso Senhor nasceu, tem pessoa que não tem o pão pra por na sua mesa pra seus filho comer. Fica aburrido, não tão vendo que é o Natal? O Natal é de alegria, de prazer, de satisfação, mas ninguém tem mais alegria porque vive pensando o dia a dia como que vai viver. E os nossos pessoal do sítio, do mato, eles são trabalhador, eles são honesto, eles não roubam... eles trabalham pra sobreviver, eles vive do suor deles.
Então eu agradeço mais uma vez, meus pessoal que tão aí. Meu abração pra cada um de vocês e meu muito obrigado e uma boa tarde pra vocês. Fiquem com Deus."
Paula Tavares Martins
Representante da Comunidade da Cacheira do Guilherme
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