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O lançamento do projeto Viola Peregrina aconteceu no Guaraú, nos dias 17, 18 e 19 de dezembro de 2004. Dois fundamentos orientaram o formato desse evento: o primeiro é decorrente da própria finalidade da peregrinação da Viola no registro de uma cultura que se mantém pela partilha entre as gerações de caiçaras e o segundo diz respeito ao reconhecimento da oralidade como modo primeiro dessa partilha.
Assim, foi idealizado o Seminário O que aprendi com meus pais , que privilegiou as falas dos participantes das comunidades, enriquecidas pelas de especialistas e que oportunizou o encontro de pessoas vindas de diversos lugares da região para contarem e ouvirem suas memórias sobre o que aprenderam com o convívio familiar e de vizinhança.
Para realizar esse momento de encontro e de reconhecimento entre os participantes, a Mongue buscou a parceria do Projeto Cala-boca já morreu, cuja metodologia de trabalho compreende a produção coletiva de uma peça de comunicação em quatro etapas: levantamento de pauta, produção, apresentação (rádio, vídeo, jornal, etc), e avaliação dos resultados.
A partir do mote O que aprendi com meus pais foram produzidos registros em áudio por todos os presentes, organizados em grupos : o resultado das conversas dos grupos transformou-se em depoimentos, lembranças, diálogos e até em música, criada e gravada ali mesmo. Esses registros foram ouvidos por todos, no final do dia
e gravados em CD-Rom para que os participantes levassem para casa.
Em outro momento, representantes da comunidade (Ciro Xavier Martins, Paula Tavares Martins, José Peixe Amarante), do poder público (Luiz Antonio Palácio - procurador da República), ambientalistas (Ernesto Zwarg) e estudiosos da cultura caiçara (Antonio Carlos Diegues, antropólogo da Universidade de São Paulo) contribuíram com suas visões sobre o projeto.
E, como o encontro entre parceiros é sempre uma festa, na noite do sábado os violeiros da Juréia animaram um baile que terminou às cinco da manhã. Antes do início do baile todos tivemos a alegria de nos ver em dois vídeos editados a partir dos registros feitos durante as atividades e reapresentados no domingo, quando os trabalhos foram encerrados com tribuna livre e avaliação do Seminário.
Para a realização do evento foi feita uma reunião preparatória na sede da Mongue, no dia 30 de outubro - ali, parceiros, lideranças locais e responsáveis pela organização puderam conhecer os objetivos e pensar em conjunto o melhor modo de realizá-lo. A equipe final responsável pelo Seminário contava com 50 pessoas , grande parte de moradores da região: foram priorizados os recursos humanos e as empresas locais - trabalhos de gráfica, locação de equipamentos de áudio, confecção do kit dos participantes, pintura da escola, montagem do local, preparação das refeições, recepção durante o evento.
Parcerias importantes foram estabelecidas: a Escola Municipal de Ensino Fundamental do Guaraú cedeu o espaço para o encontro; o projeto "Reciclação" - desenvolvido pela Didática-Bio-Lógica com a equipe do "Escola da Família" da Escola Estadual Padre Vitalino Bernini - ficou responsável pela confecção dos crachás , em papel reciclado e montou um estande no local para mostrar o processo de reciclagem do papel e seus produtos. Foram também colocadas em exposição as peças do artesão Rosalino de Oliveira Narciso e livros da Rede Eco-socialista Caiçara.
O Seminário O que aprendi com meus pais atingiu plenamente seus objetivos: além de apresentar o projeto e esclarecer dúvidas, proporcionou um momento de troca, reflexão e alegria, bem de acordo com a vocação do Viola Peregrina - reunir pessoas e registrar de modo verdadeiro esses momentos.
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