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Luta pela sobrevivência
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A música e a dança da Juréia estão ameaçadas. Para que elas não se percam no tempo e não sejam esquecidas pelas gerações futuras, vai começar o projeto Viola Peregrina.

A luta para manter as tradições caiçaras une empresa, Ong e, é claro, a comunidade.

O toque da viola é tradição na estação ecológica Juréia-Itatins. "Minha vontade é passar para os meus filhos", diz Cleiton Carneiro, artesão.

A área de quase 80 mil hectares, no litoral de São Paulo, é protegida há 19 anos. Desde que a estação ecológica foi criada, só podem andar por aquelas terras, funcionários do instituto florestal e antigos moradores.

Famílias caiçaras moram ali, apesar das severas leis ambientais que restringem caça, pesca e agricultura. Quem não aguentou e foi embora, deixou para trás as casas e uma parte da história da Juréia. "Está acabando. É mais uma tradição do povo caiçara que está acabando", diz Cleiton.

Documentar essa história é a missão do Viola Peregrina, projeto da comunidade em parceria com a Ong "Mongue proteção ao sistema costeiro". "A proposta é registrar uma manifestação cultural, musical dessas comunidades e quando a gente começou a bolar o projeto a intenção era registrar sem interferir na comunidade", diz Thiago Taboada, diretor do documentário.

Com o apoio de uma grande empresa, a cultura da Juréia vai ser mostrada em um documentário. "Quando eu cheguei lá para gravar esse piloto do que seria o documentário, foi muito interessante ver como a viola é feita de uma madeira própria, a extração dela acontece em uma época específica", diz Thiago.

"A caixeta é fácil de encontrar aqui na região e a gente precisa mais para o fim do ano - de maio a agosto - quando a gente costuma cortar, na lua minguante", diz Cleiton.

A viola anima os bailes tradicionais da Juréia. Quem não mora mais ali, volta pra dançar e rever os amigos. "Para fazer o baile, a época mais específica é a do Carnaval e quando o pessoal precisa fazer a plantação de rama, de arroz. A gente vem e ajuda na roça e aí a gente vem dançar. Pegar o baile às 19h e ir até às 7h da manhã", diz Ciro Martins, jardineiro e pedreiro.

"Acho que aqui é mais coisa de família, mais acolhedor", diz uma garota.

 
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