Viola Peregrina resgata cultura caiçara
(também na internet)
Que segredos esconde a viola iguapeana, também conhecida como viola branca? Ao dar o tom nos fandangos, o instrumento - típico das comunidades caiçaras do Litoral Paulista e que ainda é produzido pelas mãos hábeis de luthiers locais - serve de elo de ligação entre os núcleos tradicionais da Estação Ecológica Juréia-Itatins.
Mas, os núcleos estão desaparecendo, por motivos que vão desde a especulação imobiliária até as limitações impostas pela legislação ambiental. E, com eles, entra em processo de extinção a singular cultura dos caiçaras. Em um trabalho ambicioso que visa, simultaneamente, registrar e resgatar os folguedos tradicionais da Juréia enquanto ainda existem, será lançado este mês o projeto Viola Peregrina.
Com apoio financeiro da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, a Organização Não-Governamental (ONG) Mongue Proteção ao Sistema Costeiro - formada por moradores de Peruíbe - acompanhará, ao longo de 2005, todas as festas caiçaras que acontecem na região da Juréia.
''O Viola Peregrina terá como condutor uma viola iguapeana, que será produzida por um luthier local. O instrumento peregrinará por várias comunidades da Juréia'', explica o secretário-executivo da ONG, Plínio Melo, ressaltando que o principal objetivo do projeto é registrar músicas, danças e festas religiosas de caiçaras nos locais onde esses eventos acontecem.
Ele reforça o fato de que, nos últimos anos, moradores das comunidades tradicionais se transferiram para o centro urbano por causa das restrições ambientais e, com isso, perderam os vínculos com a própria tradição, caracterizada pela transmissão oral dos conhecimentos.
Seminário
O projeto deve ser concluído em 18 meses, entre gravações e edição final. Nesse período, além registrar costumes caiçaras em DVD, programas de rádio em CD, textos, site e blog -
www.mongue.org.br/blongue -, o Viola Peregrina tem outra meta: gerar renda para mais de 200 pessoas em sua fase inicial.
''Vamos construir uma Escola Caiçara e uma cooperativa de cantadores e luthiers, onde os envolvidos poderão utilizar os equipamentos de marcenaria adquiridos para produzir objetos de madeira, obtendo renda com a venda dos trabalhos e artesanatos'', afirma Melo.
Coordenador do projeto, ele destaca que todo o trabalho vem sendo desenvolvido pela Mongue em parceria com representantes das comunidades caiçaras. Exemplo disso será o seminário de lançamento da proposta, que acontece entre os dias 17 e 19 deste mês, na Escola Municipal do Guaraú, na Avenida Cesário Faria, número 150, em Peruíbe.
Intitulado O Que Aprendi com Meus Pais, o seminário deverá reunir integrantes de núcleos tradicionais da Juréia, especialistas na área e ambientalistas.
Participação
Um dos destaques do seminário é a presença do professor da USP, Antonio Carlos Diegues, um dos maiores especialistas em cultura de populações tradicionais do País. O pesquisador atuará como um observador e fará comentários sob a ótica acadêmica no encerramento do seminário.
Diversas organizações locais foram convidadas, como o Grupo Ecológico do Guaraú, a Associação de Monitores Ambientais de Iguape e a Associação de Jovens da Juréia.