Cultura dos caiçaras da Juréia começa a ser valorizada
(também na internet)
Como acontece há vários anos, o baile de Carnaval dos caiçaras da Estação Ecológica Juréia-Itatins foi realizado na Praia do Una, em Peruíbe. Sob o ritmo da viola iguapeana, o chamado fandango contou com todos os procedimentos peculiares que a tradição deles impõe, como o arremesso de um mingau de cinzas sobre o telhado da residência anfitriã, no último dia de festa.
Entretanto, desta vez, a manifestação teve um significado especial para os participantes: durante o evento, equipes de filmagem do projeto Viola Peregrina gravaram a primeira etapa do documentário, que deverá eternizar a cultura das populações tradicionais da Juréia.
Cada festa caiçara contém rituais únicos, moldados ao longo dos anos durante os fandangos, como eram chamados os banquetes acompanhados de música e dança que cada família oferecia no passado, após receber a ajuda dos demais moradores da região para plantar ou colher mandioca e outros alimentos em sistema de mutirão.
Para evitar que essas manifestações se perdessem com o passar dos anos, a comunidade caiçara da Juréia criou o projeto cultural Viola Peregrina que, gerenciado pela Organização Não-Governamental (ONG) Mongue Proteção ao Sistema Costeiro, conquistou o apoio financeiro da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
Com o patrocínio, a ONG acompanhará todos os fandangos ainda realizados na estação durante o ano, divulgando cada fase na mídia e pelo blog existente no site
www.mongue.org.br . O nome do projeto, inclusive, se refere à uma viola iguapeana, confeccionada por luthiers locais, que peregrinará por cada festa.
Aleluia
As gravações começaram no Carnaval e devem terminar dentro de 18 meses, quando será concluído o DVD com os costumes caiçaras.
A próxima filmagem está marcada para o dia 26 de março, no Baile de Aleluia, que também acontece na Praia do Una. Na ocasião, a viola peregrina será retirada da parede em que foi deixada na terça-feira de Carnaval. Na chamada de Noite do Toco, a festa precisa ser interrompida à meia-noite, conforme reza um dos muitos rituais caiçaras.