Viola respeitada
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A gente vai visitar agora outra comunidade da estação ecológica da Juréia. Uma área ainda mais isolada, onde vivem apenas três famílias.
Não tem energia elétrica, o celular não pega e a água é a que vem das bicas. A diversão dessa comunidade é a viola do seu Pradel. Vamos, então, conhecer esse ilustre morador da Juréia.
A viagem pela estação ecológica Juréia-Itatins continua. Fomos ao encontro de um dos violeiros mais respeitados da região. Para chegar até ele, são 8 quilômetros em uma estrada de terra, que termina às margens do Rio Comprido.
Daqui, seguimos de barco. São duas horas de viagem. Só paramos para dar passagem a quem tinha mais pressa e para conhecer a madeira que dá forma à viola iguapeana.
Nas águas escuras do Rio Comprido ficam estampados céu e terra. É a beleza da paisagem duplicada. A comunidade da Cachoeira do Guilherme nos dá as boas vindas. Criada na década de 30 por 25 famílias, hoje apenas três vivem no local.
"Antigamente qualquer pedaço que o cara roçava era dele. A posse era dele. Se ele tivesse um ranchinho a posse era dele, mas quando chegou a estação a situação mudou. Não reclamo da estação por que a gente precisa da natureza, mas eles precisam dar um jeitinho de não depredar nada mas fazer a convivência entre os moradores atuais e antigos", diz seu Pradel.
Seu Pradel é morador antigo. Pra ouvir o som da sua viola tem que se apresentar à cachoeira do Guilherme. Seguindo a trilha, é para lá que vamos.
A beleza da cachoeira do Guilherme explica por que a comunidade leva o seu nome. Com parentes e amigos, seu Pradel mostra a força da tradição.
"Meu pai era violeiro. Quando eu nasci meu pai devia ter uns 20 anos. Já existia a viola, então, ela é muito antiga. É tradicional mesmo", diz ele.
Se na Juréia a natureza está preservada, a cultura caiçara é que corre o risco de extinção. Eles apostam no projeto Viola Peregrina para que isso não aconteça.
"Se o povo se afastar e não ficar, tenho certeza de que isso vai acabar e não vai ser o gosto da gente não", diz seu Pradel.