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A presença do 'cantador' na tradição musical brasileira - que tem sua origem no romanceiro ibérico - caracteriza-se pela profunda ligação entre ele e seus ouvintes e por sua função que, indo além da diversão gratuita, insere-se no cotidiano de mediações: o trabalho, a religiosidade, as práticas festivas. As modas de viola, portanto, registram a história e constituem a própria história, uma vez que passam também a ser mediadoras das relações entre o grupo e entre este e outros grupos, fazendo e refazendo a sociabilidade.

Os cantadores da região da Juréia têm duas funções básicas. A primeira delas é comunicar, partilhar os fatos da realidade dos ouvintes por meio de uma estética por eles reconhecida. É um narrador que, ao contar uma história acontecida, torna-se o rapsodo grego - o portador da tradição oral, da memória coletiva. A segunda função é conduzir cerimônias - como as folias de reis e a dança de São Gonçalo - e para isso precisa ser conhecedor do ritual, das marcações e do conteúdo a ser expresso nos versos. Aqui, ele assume o papel de intermediário entre o plano dos homens e o plano divino - é um demiurgo.

A essas duas funções une-se a de 'animador' das práticas festivas: a presença de tocadores e cantadores garante a realização dos fandangos, que constituem parte significativa do divertimento dos moradores da região.

 
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