| |
O projeto Viola Peregrina tem como objetivo geral registrar as produções musicais de comunidades da Estação Ecológica Juréia-Itatins - EEJI (SP) e seu entorno. A EEJI abriga um acervo de importantes manifestações culturais tradicionais inseridas em suas práticas festivas ou religiosas. Melodias, ritmos e letras (assim como as danças) que durante várias gerações tiveram a garantia da permanência pela transmissão oral, passam a ter seu registro tecnológico valorizado pelos próprios moradores, no sentido de garantir e ampliar a memória musical que traduz seu modo de viver.
Eu espero que dê tudo certinho, porque é bonito, né? A gente mora aqui neste lugar difícil. A gente tá aqui com um restinho de tradição. (...) Então, tem que gravar, e tudo. Isso é importante. Afirma Pradel Martins, cantador, como resposta ao pedido de autorização para gravação de um fandango em sua comunidade.
Músicos autodidatas, os tocadores e cantadores da Juréia apresentam suas "modas" com poucos instrumentos - violão, rabeca, pandeiro e viola - esta última construída por luthiers locais e chamada de 'viola iguapeana' ou 'viola branca', surgida originalmente em Iguape, mas reconhecida com orgulho por toda a região.
Tendo como mote a 'viola iguapeana', o projeto Viola Peregrina vai registrar as diversas manifestações musicais desta parcela do povo do litoral sul de São Paulo, iniciando com a construção do instrumento e acompanhando sua peregrinação por todas as comunidades para que cada uma delas registre suas produções musicais e danças.
Acompanhar esses cantadores e violeiros durante um ano inteiro, em diferentes locais e circunstâncias, é uma oportunidade rara de reunir um acervo representativo dessa produção musical e de registrar a história dos moradores tradicionais da região, uma vez que estão - música e história - inevitavelmente imbricadas.
A metodologia de apoio - coleta de dados em história oral - tornará possível também incluir depoimentos sobre a memória dos diversos grupos a respeito de suas tradições musicais e as impressões dos mais novos sobre a continuidade dessas tradições.
O processo de registro reunirá uma equipe interdisciplinar de profissionais nas áreas de produção, captação e edição de imagens e som; das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação - processos digitais e Internet, e de estudiosos da cultura popular. Integrarão, também, a equipe, moradores da região, conhecedores da matéria-prima do projeto.
|
|